por Akrura
"Era uma vez alguns sentidos do corpo, vangloriando-se de quão poderosos eram, pois mantinham um ser humano vivo: a língua jurava que o corpo não poderia viver sem ela, afinal antes de tudo era o verbo. Sem língua, como manifestar o tão propalado verbo, mantras e cantos. Começou então uma grande, inútil e insolúvel discussão. A mente, que nunca foi boba, pediu para a língua se calar e levou todos os envolvidos diante do deus Shiva, para que este decidisse quem dos envolvidos na querela era o mais importante para manter o corpo forte e saudável. Shiva então sugeriu que cada um deles se afastasse por um ano do corpo, para observar como este reagiria.
"A língua foi a primeira sorteada e se afastou do corpo por um ano. Ao retornar perguntou ao corpo como sobrevivera sem a sua presença, este respondeu tranquilamente que vivera como os mudos, mas que o silêncio até que lhe fizera bem. A língua, então, retornou ao corpo e se conformou.
"Os olhos foram sorteados em segundo lugar. Eles se afastaram por um ano e, ao retornarem ao corpo, perguntaram-lhe como este sobrevivera sem a visão. “Vivi como os cegos e assim pude desenvolver melhor os outros sentidos”, respondeu o corpo, e os olhos perceberam que não eram tão cruciais para o corpo e se contentaram.
"O ouvido foi o terceiro sorteado, que se afastou do corpo por um ano, quando retornou perguntou como sobrevivera o pobre corpo sem audição. “Vivi como os surdos, e devo confessar que a falta de ruído não foi tão ruim assim.” O ouvido retornou para o corpo e recolheu sua arrogância.
"A mente foi a quarta sorteada a se separar do corpo por um ano. Quando retornou, perguntou ao corpo como este sobrevivera sem a sua presença. “Vivi como os loucos, lhe respondeu o corpo, porém não conheço ninguém que tenha atestado de sanidade.” E a mente retornou ao corpo conformada.
"A respiração foi a quinta sorteada para se afastar do corpo por um ano. No momento de sua partida, o corpo começou a chorar copiosamente. A língua, os olhos, o ouvido e a mente quiseram saber porque o corpo chorava com a partida da respiração, uma vez que, quando eles partiram, o corpo permaneceu indiferente.
"O corpo respondeu que chorava a morte de todos, da língua, dos olhos, do ouvido da mente, e chorava a sua própria morte, uma vez que, sem respiração, nenhuma das funções corporais sobrevive. Todos juntos suplicaram para que a respiração não os abandonasse. A partir daí o Senhor Shiva ensinou os pranayamas que se seguem, pois o Universo se expande e se contrai ao longo da sua existência, dança ao som do seu próprio ritmo. O coração tem o seu ritmo sistólico e diastólico e o pulmão se expande e se contrai a cada respiração, ditando o estado emocional de cada ser humano."
Respiração um-quatro-dois.
por Sri Chinmoy, do livro Meditação
Quando inspirar, repita, uma vez, o nome de Deus, de Cristo ou de quem você venera. Ou, se o seu Mestre lhe passou um mantra, você pode repeti-lo. Essa respiração não precisa ser longa ou profunda. Então, prenda a respiração e repita a mesma palavra quatro vezes. Ao expirar, repita duas vezes o nome ou o mantra que você escolheu. Você inspira uma vez, prende a respiração por quatro e expira por duas, repetindo interiormente a palavra sagrada. Se simplesmente contar os números – um, quatro, dois – não vai conseguir nenhuma vibração ou sentimento interior. Entretanto, ao dizer o nome de Deus, imediatamente as qualidades divinas dele entrarão em você. Então, quando prender a respiração, essas qualidades irão girar à sua volta, entrando em todas as suas impurezas, obscuridades, imperfeições e limitações. E ao expirar, essas mesmas qualidades divinas levarão embora todas as suas características não-divinas, retrógradas e destrutivas.
Pratique repetidas vezes de maneira lenta e profunda. Relaxe e Boa sorte.
